quinta-feira, 13 de junho de 2013

Da Criação, da falsificação, da originalidade das obras de Arte Contemporânea. 
O que vale mais:  A ARTE ou O ARTISTA?



Com a retirada de dez obras de artistas famosos brasileiros, às vesperas da abertura do último leilão da Christies, por suspeita de falsificação,  volta à tona o assunto das obras falsificadas espalhadas pelo mundo. Sabemos que muitas obras expostas em grandes museus são falsas, como foi o caso ultimamente da escultura de Gauguin, falsificada por Shaun Greenhalg, adquirida em leilão da Sotherby em 1994.  Alguns dizem que a Monalisa exposta no Louvre é falsa, e o David de Michelangelo que vemos na Piazza della Signoria em Florença, é uma réplica o que em nenhum dos casos impede a romaria dos turistas em busca de fotografias dessas obras.

A arte, que segundo Kant, se opõe a qualquer utilidade e cujo prazer estético é totalmente subjetivo, movimenta anualmente bilhões de dólares, e fica em terceiro lugar em termos de crime de tráfico no mundo, perdendo somente para as armas e para as drogas.

A arte,  durante séculos foi obra de artesãos anônimos.  Ainda na Renascença  a arte era profissão de uma classe secundária, por isso Leonardo da Vinci preferia se anunciar como "inventor de máquinas de Guerra" e não como gênio da pintura. A Arte  que até pouco tempo não era uma profissão seria, (me lembro de minha avó falando: "menino, não faz arte!"), é hoje em dia responsável pelos bens que mais valorizam no mercado financeiro. Nada valorizou mais no ultimo século do que as obras de arte. Nem o petróleo, nem o ouro, nem os diamantes.

Porem, quando se compra arte, quer se comprar O ARTISTA,  ou pelo menos um pouco dele, e por isso, uma obra de Cezanne  como  “Les Joueurs de Cartes”  vendida à familia real do Qtar por 250 milhões de dólares, obra que o próprio Cezanne fez 5 cópias,  (que quase nada valiam em 1890). Este quadro hoje,  pode de uma hora para outra não valer mais do que alguns anos de prisão para seu criador, se for dada como falsa.

Atualmente, depois da ARTE POP e a "Factory" de Andy Warhol, os "objets trouvés" de Duchamp, os questionamentos ou as "brincadeiras" de Fontana e Manzoni, só para citar alguns,  a ARTE CONTEMPORANEA se permite cada vez mais fazer citações, apropriações parciais ou mesmo totais como é o caso de Sherrie Levine, cuja exposição  "After Walker Evans» consistia na reprodução das fotografias de Walker Evans sem nenhuma modificação. 

Na realidade, toda arte é uma espécie de apropriação, e não existe obra original. Ja dizia Parmênides: "Nada de nada vem".  Na era em que vivemos, da fotografia, dos downloads,  reprodutividade, como fica a autoria de uma obra? 
Se Duchamp expões um mictório sobre um pedestal, poderíamos fazer a mesma coisa? 


Onde fica esse mistério, essa aura em torno da figura do artista, que faz com que ele valha muito mais do que a Arte?  Muito ja se falou do "Fim da Arte", e por mais que se fale, a ARTE continua firme, forte e rica. Talvez o que acabe, será O ARTISTA, aquele artista moderno, mito, que vale milhões. Ao que tudo indica, a Arte não vai acabar enquanto o mundo existir.  A Arte é maior que o Artista.

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